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09 Mar 2021

Aprendizados Tecnológicos de uma Pandemia

Claudia Costin
Aprendizados Tecnológicos de uma Pandemia

A triste e persistente situação sanitária e econômica do país vem sendo acompanhada não apenas por polarização política e negacionismos históricos e científicos. Há, como ocorreu em outras crises vivenciadas pela Humanidade, uma porta aberta para a inovação e aprendizados de todos os tipos, ao nos tirar da zona de conforto, dado o isolamento que boa parte de nós teve que enfrentar.

Tivemos que, de uma maneira ou de outra, reinventar nossas práticas profissionais, ao trabalhar de casa, vender serviços na Internet, colaborar de forma virtual ou ensinar à distância. E não, não estávamos preparados para nenhuma destas possibilidades- nem nós no Brasil, nem nossos contemporâneos em outras geografias.

Mesmo assim, aparentemente havia algumas especificidades brasileiras neste processo de adaptação, especialmente para professores da Educação Básica: a conectividade era um problema mais sério dada a extensão territorial e a diversidade do país, as desigualdades sociais se traduziram em menor acesso de alunos a equipamentos e à própria Internet, a formação tanto inicial como continuada dos docentes não incorporava competências digitais- e sequer enfatiza outras dimensões da prática, como bem diagnosticou o Conselho Nacional de Educação ao estabelecer a nova Base Nacional Docente.

Neste contexto, não faz muito sentido simplesmente incorporar os aprendizados tecnológicos da Europa ao lidar com a resposta educacional à COVID 19. Precisamos de uma estratégia mais contextualizada. Neste sentido, são bem-vindas as análises e propostas do Centro de Inovação para a Educação Brasileira-CIEB, uma organização da sociedade civil que apoia as redes públicas de ensino básico na sua transformação digital com pesquisas, ferramentas- inclusive uma de autoavaliação para professores sobre o desenvolvimento de competências digitais para o ensino - e orientações práticas.

No mesmo sentido, algumas pesquisas, como as do Instituto Península, ouvindo professores de todo o país em diferentes momentos do período de fechamento das escolas, trouxeram elementos importantes para lidar com o insuficiente preparo das escolas para lidar com a contingência, e para permitir maior clareza de como formar e instrumentalizar, mesmo que de forma emergencial, os docentes para uma prática mais efetiva, durante o fechamento das escolas e na volta às salas de aula.

Aprendemos, de acordo com estes textos, que é possível trabalhar com plataformas digitais, para uma parte importante dos alunos, em especial os de Ensino Médio. Que eles as acessaram, em grande medida, por meio de celulares, mas que precisaram, para tanto, de dados patrocinados. Também descobrimos que estes aparelhos, apesar de não serem de fácil visualização e manipulação para adultos, para os jovens eram bem mais fáceis de serem utilizados para aprender.

Também fez parte dos aprendizados a necessária combinação de diferentes mídias para poder chegar a todos. Neste sentido, televisão e rádio, que já foram utilizados no passado para educação, especialmente de adultos, tornaram-se novamente importantes para o processo de ensino, desde que associados a guias de estudo enviados às residências dos alunos. Posteriormente, num processo de “aprender fazendo”, programas de televisão foram conectados a aplicativos digitais.

Mas, de acordo com publicação recente sobre o tema do “The dialogue” do Diálogo Interamericano, o meio digital foi muito usado também para criar comunidades de prática, unindo professores de diferentes partes da América Latina, num processo de compartilhamento profissional que certamente sobreviverá à pandemia. Afinal, uma das competências mais importantes para estes tempos de Revolução 4.0 é justamente a resolução colaborativa de problemas e alunos que veem seus mestres colaborando terão, certamente, mais chances de aprender a pensar e trabalhar juntos.

O documento também se refere a três processos que se complementam: as avaliações digitais, a obtenção de dados sobre aprendizagem para informar as práticas pedagógicas e a informatização da gestão escolar e educacional, que liberou tempo de professores para focar mais no processo de ensino.

Cada um deles demandou inicialmente esforço dos docentes para aquisição de novas habilidades, num ambiente igualmente estranho para os próprios alunos. Todos tiveram que desenvolver, no fim das contas, competências usualmente chamadas de socioemocionais como adaptabilidade, abertura ao novo e persistência.

No retorno às aulas presenciais, muito do que foi aprendido acabará se incorporando às práticas de ensino e aprendizagem, criando condições para uma educação não só mais preparada para lidar com emergências como as que vivemos, mas mais adequada aos desafios do século 21. Afinal, a tecnologia pode ser uma maldição para a Humanidade, na forma de substituição acelerada de trabalho humano por Inteligência Artificial, como nos mostram inúmeras análises prospectivas, mas poderá também ajudar a tornar o fazer do professor menos tradicional e muito mais engajador, se associado ao que vêm trazendo à luz as pesquisas ligadas à Ciência da Aprendizagem.

 

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