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08 Jan 2021

Inovação em Educação Pública

Autora Convidada: Claudia Costin
Inovação em Educação Pública

Muitas vezes, quando se fala em inovação em educação, pensa-se imediatamente em compra de tablets, laptops ou aquisição de aplicativos e plataformas digitais para os alunos. O raciocínio não é errado de todo, pois, na terceira década do século 21 estas ferramentas estarão presentes no cenário de atuação futura dos estudantes, assim como investir em conectividade de alta velocidade também ganha relevância, como esses tempos de isolamento social bem mostraram.

No entanto, inovação no processo de ensino e aprendizagem requer muito mais do que ferramentas, demanda boas políticas educacionais que fomentem experimentação e escalem práticas inovadoras testadas.

Para tanto, é fundamental buscar modelos de referência que geram bons resultados no Brasil e no mundo, aquilo que tem funcionado em educação e que ainda não foi transformado em política pública. E não faltam exemplos.

Aqui mesmo no Brasil, a escola em tempo integral do estado de Pernambuco, iniciada com o Ginásio Pernambucano e posteriormente estendida a quase toda a rede, foi uma inovação educacional suficientemente testada, mostrando-se escalável e apta a transformar o ensino médio daquele estado, gerando resultados tanto em termos de aprendizagem como de diminuição das desigualdades. E sim, eles usaram tecnologia, por meio de oficinas de robótica, laboratórios mais equipados e até material para produção de vídeos, mas a maior inovação não está aí.

A inovação foi a de se basear no que tem apresentado bons resultados nos países com bons sistemas educacionais, como contar com turno único e ter um currículo no Ensino Médio e, depois no Fundamental 2, que incluísse tempo para discutir com o aluno seu projeto de vida, promover protagonismo juvenil e contar com disciplinas eletivas que o levassem a experimentar um aprofundamento no caminho por ele escolhido. Alguns outros estados se inspiraram na experiência e implantaram escolas no modelo pernambucano. Posteriormente, todas essas ideias se incorporaram no novo Ensino Médio – que começa a ser implementado em 2021- e na BNCC.

Outra inovação importante é o Centro de Mídias do Amazonas. Ao lidar com as dificuldades logísticas do Ensino Médio para os jovens ribeirinhos, dado o tempo necessário para se embrenhar na floresta e chegar a escolas dispersas em povoados distantes, o governo decidiu criar uma estratégia de transmissão por satélite de aulas dadas por professores da própria rede.  No local, professores generalistas organizam o ambiente de aprendizagem e garantem a interação. Esta estratégia deu certo e foi reconhecida pela renomada Brookings Institution como uma das 14 melhores do mundo para assegurar aprendizagem de qualidade em escala. Hoje o estado de São Paulo também conta com um Centro de Mídias e outros buscam criar algo assemelhado, adaptado a suas realidades.

Também poderíamos falar do Jovem de Futuro, uma inovação em gestão educacional que vem ajudando redes públicas estaduais de Ensino Médio, promovida pelo Instituto Unibanco. Após a uma avaliação de impacto sólida, a iniciativa mostrou-se não apenas bem sucedida em alocar melhor recursos nem sempre fartos, em ensinar gestores escolares e professores a trabalhar com dados e em assegurar aprendizagem de qualidade com equidade. Já 11 estados, em maior ou menor proporção, beneficiaram-se desta inovação.

Poderíamos também iluminar a já internacionalmente reconhecida prática de Sobral que, com ideias muito simples, mas ainda não adotadas em boa parte do Brasil, inovou na alfabetização na idade correta com grande sucesso e acabou tendo seus esforços ampliados para o resto do Ceará e, mais recentemente, para Pernambuco.

Por que levanto estes exemplos? Porque cada um deles envolve inovações que não estão necessariamente vinculadas a tecnologia, embora dela se beneficiam, viraram política pública e estão assim sendo escalados.

Infelizmente, quando se pensa em inovação em educação pública, muitas vezes se pensa em soluções charmosas, mas não escaláveis. Elas podem sim ter valor para aquela escola que as adota, mas por mais inspiradoras que sejam, não transformam a realidade educacional do País. Precisamos de mais Centros de Mídias, mais Ginásios Pernambucanos, mais Jovens de Futuro e, certamente, uma “sobralização” da alfabetização!

 

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