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07 Oct 2019

Transformação Digital e os Desafios para o Professor

Maria Alice Carraturi

Em 2013, Tomer Doron, tecnólogo, empresário e ex-aluno da Singularity University – instituição do Vale do Silício reconhecida pela inovação e estudos de tecnologias exponenciais -  foi visionário em um artigo para o blog da Singularity, intitulado The Once and Future Teacher (O professor e o professor do futuro – tradução livre). Ao longo do texto, Doron dava pistas sobre o que estava por vir. Algumas delas se concretizaram anos depois.

Em seu artigo, Doron citava resultados do crescente número de empresas de software que trabalhavam com a ideia de uma educação digital mais inteligente, mais barata e mais acessível. Jogava, como perspectiva, o ritmo exponencial pelo interesse da Inteligência Artificial (IA) que poderia se tornar dominante. Para tornar a IA útil na educação é preciso coletar não apenas informações sobre os resultados da aprendizagem, mas também informações sobre o processo de aprendizagem para ter um banco de dados que possa identificar padrões e chegar nas individualidades.

O mundo viu uma veloz transformação digital nos últimos anos. As premissas levantadas pelo autor tinham um rastro de certeza - há seis anos! Por um lado, apontava que os professores iriam transferir seus conhecimentos para as máquinas (a fim de alimentar a aprendizagem da máquina) e, por outro, alguns professores iriam se concentrar nas funções remanescentes que dificilmente seriam substituídas pela inteligência artificial limitada devido à sua natureza social. Esses desempenhariam seu papel no desenvolvimento de habilidades socioemocionais para seus alunos na escola. “Um intangível é que um bom professor não apenas possui o conhecimento e as habilidades necessárias para ajudar um aluno a ter sucesso, mas também se importa. Esse senso de cuidado pode ser difícil para uma máquina produzir” (Doron)

Recentemente, um extenso artigo na MIT Technology Review - China has started a grand experiment in AI education. It could reshape how the world learns (A China iniciou um grande experimento na educação em IA. Poderia mudar a forma como o mundo aprende – tradução livre) explicou como que dezenas de milhões de estudantes chineses estão usando alguma forma de Inteligência Artificial para aprender, seja por meio de programas de tutoria extracurriculares, seja através de plataformas de aprendizado digital. Ou até mesmo em salas de aula.

Trata-se do maior experimento do mundo em Inteligência Artificial na educação. Por ser um sistema muito seletivo de acesso à Universidade, muitos pais contratam tutores fora do horário escolar para garantirem o bom desempenho nas provas. Com o grande investimento que o país fez em IA, hoje há dezenas de milhões de estudantes que usam alguma forma de IA para aprender, como previsto seis anos atrás por Doron. É o maior experimento do mundo em IA em educação, e ninguém pode prever o resultado.

É fato que diversos especialistas concordam que a Inteligência Artificial será importante na educação do século 21. Só não sabem ainda como. Alguns apontam que a corrida para a IA na educação pode, na melhor das hipóteses, ajudar os professores a estimular os interesses e os pontos fortes de seus alunos. Mas, na pior das hipóteses, isso poderia fortalecer ainda mais a tendência global de aprendizado e testes padronizados, deixando a próxima geração mal preparada para se adaptar em um mundo de trabalho que muda rapidamente.

No Brasil, ainda estamos tateando nesses novos caminhos da IA. Mas o mundo e as novas tecnologias evoluem de forma tão acelerada que o perigo é ou ficar para trás ou apenas acreditar que a transformação na educação passa, inexoravelmente, apenas pelos sistemas e variadas tecnologias – a Inteligência Artificial é apenas uma delas.

A grande questão é como oferecer a todos uma educação de qualidade e equânime. Entender a necessária transformação para a inovação, essa sim um processo sem volta, mas que pode abarcar tanto modelos digitais quanto analógicos.

Em todos os casos – e a tecnologia pode ajudar nisso – é preciso saber como criar condições para desenvolver ideias e ações inovadoras. Este é um desafio para educadores, gestores e mantenedores de escolas, e para os agentes das políticas públicas.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que inclui em suas competências gerais a Cultura Digital, nos dá um norte. Não vamos redescobrir a pólvora – mérito dos chineses. Mas precisamos ficar atentos às transformações tecnológicas e às inovações, visto que a educação em todos os tempos faz uso de tecnologias disponíveis. Esse é um tema relevante para a educação do século XXI no Brasil, por isso, vamos debate-lo!

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