• GB Flag

A BNCC e a transformação da educação básica

21 Aug 2017 by: Vera Cabral

Muito tem se falado sobre a Base Nacional Curricular Comum. O intenso e acalorado debate sobre cada uma das versões contou com o ineditismo de mais de 12 milhões de sugestões e comentários à primeira. Quando da publicação da segunda versão, tivemos a realização de audiências públicas promovidas por Consed e Undime, com mais de 9 mil participantes. E mais recentemente, com base na terceira versão, encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), novas audiências públicas que vêm sendo realizadas pelo órgão. De fato, apesar de fortes debates e muitas divergências, com intensa participação, caminhamos para ter uma ”espinha dorsal” para a educação básica no país. O que, por si, já é um importante elemento em favor de maior equidade na educação.

O fato de termos um documento dessa natureza, construído a partir de um processo tão rico e em tempo relativamente curto, é um marco para a educação brasileira. Mas, para que ele surta efeito e traga as mudanças preconizadas, é preciso cuidar do seu processo de implementação. O que, certamente, é um desafio ainda muito maior do que a própria construção do documento.

A implantação da BNCC traz mudanças importantes ao aprender e ao ensinar, que implicarão transformações no dia a dia de cada escola.  Muito além da reformulação dos currículos, a implementação da base requererá mudanças profundas, em diversos planos.  A primeira delas diz respeito a uma “troca de chave”, nada simples, que é o sair da posição de transmitir, ou ensinar conteúdos, para a de desenvolver competências (ou como quer que se chamem) nos alunos. O conteúdo, por mais importante que seja, passa a ser meio e não o fim.

Desde logo, tais mudanças incluem o “o que ensinar”, o “como ensinar”, o “como planejar”, o “como avaliar”. Passam também pelo “como organizar as equipes de professores para trabalharem conjuntamente o desenvolvimento de competências comuns, ou compartilhadas”; e pelo “como garantir que todos aprendam”, algo muito distinto do que é a “recuperação”, em conceito e forma.

Implementar transformação de tal magnitude requer, primeiro, a compreensão do que está em pauta. E, a partir daí, um grande e profundo trabalho de formação de professores e equipes; a revisão de metodologias de ensino e aprendizagem, em favor de mais ativas e que privilegiem o protagonismo dos estudantes; a utilização de uma multiplicidade de  estratégias e  de recursos e soluções para a aprendizagem, de forma a propiciar, a todos os estudantes, as condições para seu desenvolvimento.

Muitas escolas, no Brasil e no exterior, já trabalham nesses termos. Não se trata, portanto, de partir do zero. Há inúmeras referências a serem avaliadas, adaptadas e compartilhadas. Muitas organizações comprometidas com educação disponibilizam acesso a informações relevantes e a casos de escolas que transformaram suas práticas com sucesso. Há muito espaço para colaboração entre escolas e entre redes, de forma a contribuir para a aprimoramento de todos os envolvidos.

De fato, ainda que achemos que o texto da BNCC pudesse ser melhor (e sempre poderia), é importante perceber que, para além de estruturar a educação básica no país, ela embute transformações que podem nos colocar nos trilhos da educação compatível com a nossa sociedade, com o nosso mundo.

 

View all Bett Blog
Loading

Parceiros