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Bullying, mais do que uma brincadeira sem graça

14 Nov 2017 by: Redação Bett Educar

Crianças podem se provocar mutuamente, testar os limites umas das outras, entrar em conflito. Nada disso, porém, é bullying. Segundo a ONG Plan Internacional, que desde 2009 faz pesquisas sobre o tema no Brasil, o termo bullying designa "situações em que um estudante ou um grupo de estudantes, intencionalmente, adota comportamentos agressivos e repetitivos contra outro, em desvantagem de força ou poder, colocando-o sob tensão e dominação, resultando em danos e sofrimentos".

 

Essa violência deliberada, em que a vítima é atacada sem que tenha oferecido motivos, costuma ter como alvo aqueles que fogem a padrões estéticos e comportamentais valorizados socialmente. Os estudos indicam que o bullying pode acontecer até entre crianças pequenas, mas tem seu ápice dos 11 aos 15 anos. O local mais recorrente das agressões é no pátio escolar, especialmente no horário de recreio, quando a supervisão de adultos é menor.

 

Embora seja bastante comum, o bullying não deve ser encarado como um fato desagradável e obrigatório da vida escolar, algo que famílias e escolas vão tentar remediar posteriormente, ao identificar um caso. A construção de um ambiente de cooperação dentro da escola e o fortalecimento da autoestima de cada criança são formas de evitar que o problema ocorra, defende Anne Taffin d'Heursel Baldisseri, diretora de ensino fundamental na The Avenues International School e membro do Conselho Consultivo da Bett Educar. "Crianças emocionalmente seguras tendem a acreditar mais em si mesmas e, por isso, são menos propensas a ser alvo de bullying. Sentem-se valorizadas e são naturalmente imbuídas de estratégias antiagressões", afirma.

 

Na rotina da escola, há maneiras muito simples e efetivas de ajudar na construção dessa autoestima. "Uma das formas de ajudar uma criança a sentir-se mais segura e acolhida é organizar momentos em classe, onde os alunos reúnem-se regularmente para se conhecer e apreciar suas semelhanças e diferenças. Essa estratégia também contribui para educar a criança a não praticar bullying", explica Anne.

 

Os professores têm um papel essencial em ajudar a desenvolver virtudes sociais dos alunos, como cooperação, asserção, responsabilidade, empatia e autocontrole, cita a diretora. Contudo, ele deve ter o apoio da gestão escolar e firmar uma parceria forte com as famílias. "A escola deve incentivar a colaboração entre os professores, assim como possibilitar que os educadores tenham um canal aberto de diálogo com as famílias. Desta forma, o trabalho individual do professor não ficará restrito apenas à sala de aula e a política antibullying se tornará consistente e universal", afirma.

 

Um projeto pedagógico mais aberto ao diálogo também pode ajudar a evitar o bullying, garante Katherine Stravogiannis, diretora do ensino infantil da Escola Concept. “Toda regra traz implícita um princípio. O que é importante: a regra é negociável, mas o princípio não. As crianças devem ter consciência do princípio que rege a regra”, afirma. Assim, desde pequenos, os alunos vão caminhar para conquistar autonomia intelectual e moral, sem artificialismos de campanhas ou projetos isolados. "Não cabe ao educador simplesmente dizer que isso é proibido, mas explicar o porquê. Existe algo que justifica qualquer regra e combinado. Quando a escola nutre uma reciprocidade dialógica e o professor se abre para o debate intelectual, mostra na prática como ouvir a opinião do outro e discordar, com respeito, compreendendo um novo ponto de vista. Essa descentralização demonstra que ninguém deve subjugar o outro", diz.

 

Outro ponto importante para detectar problemas muito antes que se tornem casos de bullying, ou seja, antes que as agressões se tornem repetitivas, é olhar para cada aluno de forma integral. Não é apenas o desempenho acadêmico que deve ser acompanhado de perto e constantemente. "O educador consegue intervir com mais assertividade quando olha para o emocional, percebe como cada aluno se relaciona com o outro. A gente está falando de uma única pessoa, com várias dimensões", afirma Katherine.

 

Independentemente dos programas e políticas antibullying que a escola venha a escolher, quando um caso é identificado, há algumas condutas imprescindíveis, de acordo com Anne, da escola Avenues:

·      Certificar-se que todos os adultos envolvidos no caso de bullying tenham plena consciência dos eventos, assumam a responsabilidade e tenham autoridade para intervir de forma consistente em relação às normas estabelecidas.

·      Oferecer aos alunos oportunidades para aprender os comportamentos sociais apropriados, utilizar linguagem positiva e saber quais as consequências da prática de bullying.

·      Envolver pais e responsáveis nas políticas antibullying, para que haja compreensão e apoio às intervenções por parte da escola.

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